Sinantrópicos e CCZ

O Centro de Controle de Zoonoses – CCZ – é um órgão geralmente ligado às secretarias municipais de Saúde e tem por objetivo controlar a população de animais que sejam, de alguma forma, indesejáveis ou que ameacem o bem-estar, a segurança ou a saúde dos humanos. Portanto, as regras nos CCZs não pendem muito a favor dos animais não humanos, embora também não possam ser ambientes de tortura e de extermínio para os animais recolhidos, pois isso é vedado pela Lei de Crimes Ambientais e por leis específicas, que existem em vários municípios.

Os animais sinantrópicos podem ser de qualquer espécie, nativos ou exóticos, desde que se enquadrem na qualidade de “animais nocivos” (sic…) e que possam transmitir alguma zoonose, isto é, uma enfermidade cujo ciclo da doença comporta a passagem por algum animal, como hospedeiro principal ou intermediário, até atingir o homem.

É importante entender que os animais abaixo citados, que podem ser eventualmente transmissores de enfermidades (zoonoses), só são transmissores se estiverem infectados pelos parasitas causadores da doença, e não em qualquer caso. Além do mais, as aves, os mamíferos, os insetos como as abelhas, aranhas e escorpiões, dentre outros, são elementos importantes nos ecossistemas – naturais e urbanos – e não devem ser banidos do espaço urbano ou mesmo rural.

Alguns animais sinantrópicos são:

  • ratos, baratas, moscas, mosquitos, flebotomíneos, carrapatos e piolhos, vetores de enfermidades, são considerados sinantrópicos, estando ligados à transmissão de várias doenças como infecções intestinais diversas (ratos, baratas, moscas), giardíase (moscas e baratas), verminoses (cães, gatos), dengue, febre amarela e zika (mosquitos),  febre maculosa (carrapato estrela, cavalos e capivaras como hospedeiros intermediários), leishmaniose (flebotomíneos e o gambá, como hospedeiro/reservatório);
  • pombos, urubus, maritacas, andorinhas em bandos e outras aves podem ser consideradas indesejáveis, quando suas populações se tornam muito numerosas, sujam as cidades com suas fezes, alimentam-se de grãos das culturas de soja, girassol podendo, eventualmente, transmitir doenças a partir de fungos encontrados nas suas fezes (criptococose, transmitida por pombos, mas só se estiverem infectados); porém, tanto os pombos europeus como os urubus, sendo animais que se alimentam de detritos, têm o papel de serem os lixeiros do espaço urbano, nas sujas cidades brasileiras.
  • aranhas, escorpiões, lacraias, abelhas e ofídios estão entre o animais peçonhentos que podem alojar-se nas residências, causando acidentes, mais graves quando atingem crianças ou idosos;
  • morcegos, cães e gatos podem eventualmente transmitir a hidrofobia, letal aos animais e ao homem. A vacinação de cães e gatos é essencial, para evitar  o risco. Os morcegos são tidos, no meio urbano, como úteis ao controle de insetos (os insetívoros, que se alimentam de centenas de inseto, em uma única noite) e ao equilíbrio dos ecossistemas (p.ex. os frugívoros), não devendo ser simplesmente combatidos e retirados do espaço urbano; os cães “errantes” também podem ser eventualmente responsáveis por acidentes de trânsito nas vias públicas; acusados de sujarem o meio urbanos com suas fezes são, em contrapartida, assim como os pombos, catadores de detritos nas ruas;
  • mamíferos e répteis silvestres podem invadir o espaço urbano, constituindo riscos maiores ou menores, dependendo da espécie: onças pardas (sussuaranas), gatos do mato, têm sido frequentemente encontrados no meio urbano ou rururbano, bem como capivaras, gambás, tatus, macacos e saguis, lagartos teiú, dentre muitos outros. Existe uma tendência a que os animais que antes viviam nas florestas e campos naturais, com a redução das áreas naturais vegetadas, hoje venham a ocupar o meio urbano, onde passam a viver nas residências, armazéns, rios, reservatórios de água e lagos em parques, alimentando-se de uma ampla gama de produtos descartados como lixo, produzidos em grande quantidade no espaço urbano. Trata-se de uma adaptação das espécies silvestres ao meio habitado.

Os Centros de Controle de Zoonoses recolhem, ainda, animais de grande porte que geram conflitos no meio urbano, como é o caso de cavalos apreendidos em local impróprio  para sua manutenção ou quando acidentados, além de bois ou vacas, eventualmente. Compete aos CCZs fazer uma triagem dos animais apreendidos e tentar relocá-los, sempre que puderem ser recuperados, respeitando-se a tutela responsável. Como os CCZs não devem ser locais de extermínio dos animais apreendidos, quando bem geridos, procuram não apreender animais em excesso, o que acabaria conduzindo a medidas emergenciais de extermínio em massa, o que nem é mais permitido por lei. Com relação aos cães e gatos, os CCZs de gestão mais avançada têm desenvolvido campanhas de esterilização de gatos e cães e de adoção de animais abrigados.

Em Maringá, o CCZ, que já teve uma atuação controversa, atualmente procura atuar de maneira ética e promove, em conjunto  com a diretoria de Bem Estar Animal da Prefeitura Municipal, eventos de adoção dos animais recolhidos.