Gatos e cães

Gatos e cães são os animais que vivem mais próximos dos homens. A sua domesticação, respectivamente a partir de gatos selvagens e de lobos, se deu para que cumprissem determinadas tarefas de interesse dos humanos; mas conquistaram, também, lugar como animais de estimação/companhia e até como animais sagrados.

Os primeiros animais a serem domesticados parecem ter sido os cães, havendo registros arqueológicos que remontam há cerca de 40 mil anos, nos agrupamentos pré-históricos, nos quais os cães davam o alarme da aproximação das feras e também se encarregavam de eliminar o lixo, isto é,  os restos de ossos e vísceras da caça, descartados pelos humanos; mas a domesticação com funções mais específicas, como a guarda do território, a caça, o pastoreio e a tração, parece datar de cerca de 12 mil anos atrás, coincidindo com a sedentarização dos povos que se dedicavam à agricultura e, também, à pecuária, nômade ou estável.

Na sequência, foram surgindo diversas raças voltadas à caça esportiva (como Beagles, Perdigueiros, Foxhound) e à caça de roedores domésticos (como Terriers), às rinhas e lutas (Boxer, Bulldog), às competições esportivas (como Galgo), ao pastoreio do gado (boiadeiros, p.ex. como Collie, Border Collie), à guarda pessoal (Dogue Alemão, Pequinês, Spaniel Tibetano), ao serviço da polícia e salvamento, como farejadores (Pastor Alemão, Labrador, São Bernardo, Bloodhound), ao serviço de pessoas deficientes, como os cães-guia de cegos e também à companhia, originalmente de mulheres da nobreza, mas expandindo-se para todas as classes sociais (como Chihuahuas, Spaniels, Maltês, Poodle). Não resta dúvida que os cães foram domesticados e as diferentes raças foram desenvolvidas para atender a interesses dos homens, em um sistema social antropocêntrico, no qual os cães representam o elo dependente.

Os gatos ainda são vítimas, na sociedade atual, de preconceitos relacionados à cor (gato preto) ou são associados a bruxas, bruxarias, ou são considerados animais não interativos. Mas felizmente estes preconceitos vêm sendo combatidos e vão desaparecendo, aos poucos. Têm o crédito de, na Idade Média e mesmo na Idade Moderna, terem sido eficientes combatentes da peste bubônica transmitida pelas pulgas dos roedores domésticos, caçando os ratos nas insalubres cidades medievais e mesmo de períodos mais recentes; o extermínio dos gatos que acompanhavam as sacerdotisas de religiões não cristãs (bruxas) perseguidas e às vezes queimadas vivas, resultou em graves epidemias de peste, na Europa, devido à proliferação dos ratos.

Apesar de gatos e cães serem os mais populares animais de companhia, são, também, muito agredidos em seus direitos, no dia-a-dia: é comum serem encontrados em péssimas condições de bem-estar e saúde, no convívio doméstico com seus tutores, passando fome, sede, criados amarrados a correntes sob o sol e sob a chuva, em condições atrozes de vida. O abandono é um dos maiores problemas, pois são tratados, por muitos, como mais um objeto de uso transitório e descarte, sem a menor preocupação com o fato de serem animais sencientes, isto é, que sentem dor, desconforto, tristeza, angústia, medo, desamparo. Este é um dos maiores problemas das associações de proteção, com o agravante de que, por serem animais multíparos (têm vários filhotes por cria, ninhadas múltiplas), a sua reprodução é muito eficiente e sobram animais na cidade, sem possibilidade de adoção. Nos casos em que a simples presença de gatos e cães no meio urbano acaba gerando conflitos com os humanos, eles passam a ser considerados como “sinantrópicos”, isto é, indesejáveis no ambiente.

Neste caso, gatos e cães podem estar associados a zoonoses, ou seja, à transmissão de doenças que têm um vetor ou reservatório animal, e que podem infectar os humanos. A toxoplasmose, especialmente, é associada ao gato; mas a contaminação só vai ocorrer se as fezes do gato estiverem contaminadas, o que não é sempre o caso e também se os humanos ingerirem as fezes; a leishmaniose tem o cão como reservatório, além do gambá e de outros animais, mas a infecção em humanos só ocorrerá se o cão estiver contaminado e se o flebotomíneo picar o animal e depois o homem. Gatos e cães sempre podem transmitir verminoses, pois infectam-se facilmente. Neste caso, a administração periódica de vermífugo aos animais elimina esse risco. A hidrofobia (raiva) pode ser transmitida pelo cão ou gato contaminado. Manter os animais vacinados é a solução. As doenças mais específicas de gatos (rinotraqueíte, panleucopenia, PIF, FIV) e de cães (cinomose, parvovirose, coronavirose) não são, no geral, transmissíveis aos humanos, embora haja relatos de possível contaminação, em situações muito específicas; já a hepatite e a leptospirose, são transmissíveis ao homem e a solução é manter os animais vacinados contra essas enfermidades todas, para proteção dos animais e também de seus tutores.

Em Maringá, há uma lei específica voltada aos maus-tratos aos animais, incluindo gatos e cães.

Lei nº 10.467/210,  estabelece no âmbito do Município de Maringá sanções e penalidades administrativas para aqueles que praticarem maus-tratos aos animais, de autoria do vereador Flávio Mantovani.

Outros problemas com os cães e gatos é o uso deles em experimentos de desenvolvimento de cosméticos e produtos diversos, além do uso em experimentos científicos acadêmicos e no ensino. Veja a página Experimentação Animal, neste site.