Circos, Santuários e Zoológicos

Os circos

Os circos com animais tendem à extinção. Os motivos? a vida dos animais selvagens como felinos, elefantes e macacos é completamente incompatível com a dinâmica do circo: esses animais vivem enjaulados, sem condições de movimentação; são constantemente transportados de um lugar a outro; muitas vezes recebem alimentação insuficiente, pois suas necessidades alimentares são imensas e nem sempre o empresário circense tem condições de fornecer às feras a alimentação necessária; vivem sob estresse e as apresentações são feitas mediante a “doma” que é uma forma de dominar o animal por meio do pânico, de choques elétricos ou outros meios violentos, embora de aparência sutil, conforme demanda a própria apresentação; geralmente têm pouca assistência veterinária e podem se apresentar bem doentes, sofrendo de males crônicos pela falta de exercícios e liberdade de locomoção, problemas digestivos por alimentação inadequada, problemas respiratórios e uma infinidade de outros males; muitos animais de circos têm as garras ou os dentes arrancados, como forma de se tornarem menos perigosos; são cometidas contra eles muitas atrocidades, podendo viver acorrentados e enjaulados por muitos anos.

A diferença entre animais selvagens “domados” e animais domésticos “domesticados”, é que estes últimos foram domesticados mediante sucessivos cruzamentos, sempre entre os animais mais dóceis do plantel, ocorrendo a domesticação como um trabalho de características de docilidade herdadas no decorrer de milhares de anos, geração após geração. Já, a “doma”, é um condicionamento de choque feito em animais selvagens que não evoluíram em sucessivas gerações para animais mais tratáveis: eles são simplesmente os animais selvagens mantidos domados sob pânico e choques elétricos, controlados por métodos muitas vezes violentos.

Com relação aos animais domesticados, como cães, gatos, cavalos, pôneis, as condições de adaptação dos mesmos às rotinas do circo são menos prementes comparativamente aos animais selvagens, mas ainda assim, eles se submetem a rotinas de trabalho estressantes, estão em constantes viagens, o que não costuma ser compatível com a natureza das espécies e podem, também, ser adestrados mediante coação e tortura.

Evite circos que apresentam animais. É muito provável que esses animais passem por maus-tratos, para cumprir o espetáculo.

 

Os Santuários

Quando os circos são desfeitos, proibidos de apresentar animais ou quando os seus animais são apreendidos por maus-tratos, geralmente encontrados em estado deplorável, podem ser conduzidos a santuários. Os santuários abrigam feras de circos desativados, abandonados pelos empresários circenses, ou são designados como fiéis depositários de animais acompanhados pela justiça e afastados de seus algozes. No Brasil, há o Rancho dos Gnomos, que recebe animais de circos e feras abandonadas. Veja as “stories” de Bartô, o leão criado sem ter acesso a alimento e de Will, leão rendido de um circo e que nunca tinha pisado na terra ou na grama.

Os Zoológicos

Os zoológicos, em princípio, deveriam abrigar os animais em perfeitas condições de bem-estar e equilíbrio da espécie e este é o objetivo da maior parte deles. Porém, nem sempre os zoológicos são “válvulas de escape” para solucionar o problema de animais silvestres abandonados ou encontrados órfãos, ou para dar aos animais selvagens de outros biomas e continentes a vida que merecem. O destino correto para os animais selvagens encontrados feridos ou de alguma forma incapazes de sobreviver por si mesmos, afora as iniciativas particulares dos santuários, é a condução a Centros de Triagem de Espécies Selvagens, de responsabilidade do Poder Público.

Os animais dos zoológicos, quando pertencem a um bioma diferente daquele em que se situa o zoo, precisam ter recintos climatizados e que reproduzam, de alguma forma, as condições ambientais de que necessitam, tal como a presença de lagoas, de vegetação arbórea ou de alguma forma de pasto, de substrato arenoso ou rochoso, enfim, precisam da paisagem natural de sua origem como espécie. A alimentação que recebem no zoológico também pode divergir daquela que encontravam na natureza, pois dificilmente o zoo disponibilizará as frutas nativas, folhas, pequenos animais caçados, como insetos ou roedores e outros itens que faziam parte da dieta original da espécie.

Portanto, a própria existência dos zoológicos pode ser questionada, sob o ponto de vista dos direitos dos animais, pois não se admite, atualmente, que um animal seja privado de sua liberdade em seu habitat natural, para vir a compor o rol de animais em exposição pública nos zoológicos: o problema é que os zoológicos sempre serão ambientes artificiais, incompatíveis com a permanência de animais capazes de viver em liberdade em seus habitats naturais. Já, para os animais recuperados de circos ou capturados em condições precárias, a vida em um zoológico pode ser a única alternativa de sobrevivência, se não houver possibilidade de encaminhá-lo a santuários ou a Centros de Triagem.