Cavalos e animais de trabalho

Quando se fala em animais de trabalho, nenhum animal foi mais explorado do que o cavalo, além de asininos e muares: desde a antiguidade, os equinos, asininos e muares vêm sendo usado como animais de montaria, de tração ou tiro e de carga; os cavalos foram importantes nas guerras e nas lutas de bigas, nas guerras europeias e asiáticas; na história da ocupação do oeste americano, foi usado tanto pelos colonizadores como pelos indígenas. O curioso é que o ancestral dos cavalos surgiu na América, mas a espécie migrou para a Ásia pelo estreito de Bering e acabou evoluindo nas planícies asiáticas e extinguindo-se nas Américas, onde foi reintroduzido pelos colonizadores, no século XVI; até então, era desconhecido dos povos indígenas norte-americanos. Mais modernamente, o cavalo foi utilizado em várias modalidades esportivas: na casa à raposa, na Inglaterra; nas corridas de cavalos, nos “Jockeys Clubes”; nas disputas de pólo; nas competições de salto de obstáculos; nos “Country Clubes”; na equoterapia, no tratamento de pessoas com limitações físicas e outras. Também foram e ainda são muito utilizados na polícia montada, nos espetáculos circenses, em desfiles e nos rodeios. Pela sua beleza, elegância, força e habilidades, o cavalo tem múltiplas conotações simbólicas, arquetípicas e mitológicas, desdobrando-se em mitos como do unicórnio, do cavalo alado, do centauro, do cavalo de fogo, da mula-sem-cabeça (muar), dentre outros.

Em Maringá, após muita polêmica, foi aprovada a Lei Municipal 10.474/2017, de autoria do vereador Flávio Mantovani, que dispõe sobre a vedação ao uso de veículos movidos a tração animal e à exploração animal para tal fim na área urbana do Município de Maringá.  A polêmica se deu pelo fato de que as carroças pertencem quase sempre a catadores de recicláveis, sendo uma população de baixa renda sem qualificação profissional e com poucas opções de trabalho. Porém, precisamente por serem economicamente carentes, os tutores não têm condições de dar um bom atendimento à saúde dos equinos e asininos, uma vez que são animais de alto custo de manutenção. Da maneira como são criados, ficam desnutridos, infestados de endoparasitas (parasitas internos) e ectoparasitas (parasitas externos, “bicheiras”), passando fome e sede. E há alternativas para os catadores, como o ciclomóvel “cavalo de lata”.

Outros animais explorados como de trabalho são os bois de tração, geralmente atuando em junta ou dupla, os cães puxadores de trenó, os camelos das caravanas do deserto, os elefantes asiáticos, as lhamas andinas, dentre muitos outros de uso local ou regional