Animais Silvestres

O animais silvestres ou nativos são aqueles que fazem parte da fauna natural de cada ambiente, ou seja, que se reproduzem de maneira espontânea há muito tempo em um dado meio geográfico e vivem em um equilíbrio dinâmico na natureza. Apresentam adaptações a esse meio tanto com relação à alimentação como com relação ao abrigo, sendo importante a conservação das condições do meio, tais como: o tipo de vegetação – florestal, campestre, de pântano ou de mangue, por exemplo – o clima, a disponibilidade de água e todo o conjunto de animais e plantas que convivem nesse ambiente.

Então, um dos principais fatores que ameaçam a sobrevivência das espécies animais nativas é a alteração brusca do meio, o desequilíbrio ambiental, que pode destruir os locais de moradia, a vegetação que fornecia abrigo e alimento à espécie ou pode eliminar os outros animais que seriam o alimento daquela espécie, em se tratando dos animais carnívoros.

O outro motivo que pode levar à extinção de espécies nativas é a caça, apanha ou destruição dos indivíduos, a partir da ação dos homens e da sua interferência no equilíbrio da espécie. Essas ações podem ter por finalidade a comercialização da carne,  ou a obtenção de outros produtos do animal como os ovos, a pele, o pelo ou o couro; ou pode visar o tráfico de animais silvestres.

Para normatizar essas condições necessárias à sobrevivência dos animais nativos ou silvestres (“silvestre” é um termo relativo a “viver nas matas, na selva”, mas generalizou-se com o mesmo sentido de “nativo”) existem leis, também citadas e discutidas neste site nas páginas LegislaçãoLeis: destaques e comentários.

São especialmente  importantes a Lei de Proteção à Fauna,  Lei 5.197/67  e a Lei dos Crimes Ambientais, Lei 9.605/98.

O Brasil, sendo um país com uma das maiores biodiversidades de fauna tropical, um sério problema enfrentado pelos animais nativos é a apanha irregular para alimentar um mercado negro caracterizado pelo tráfico de animais silvestres, a segunda atividade ilegal que mais gera lucros e atende a interesses escusos, após o tráfico de drogas. O comércio ilegal de espécies nativas envolve: aves, principalmente as mais coloridas, como araras, papagaios, ou aves canoras, de importância internacional, como curiós e muitas outras; também são caçados mamíferos como os mico-leões e outros que têm forte procura no mercado internacional  de animais; além de répteis, principalmente ofídios, e uma grande variedade de borboletas, dentre muitas outras espécies.

Os animais são retirados da natureza de forma predatória e cruel, por meio de recolhimento de filhotes nos ninhos ou retirados precocemente das mães, sofrendo todo tipo de abuso. No transporte, passam por mais crueldades ainda, viajando escondidos em malas, em compartimentos improvisados e minúsculos, sem água e sem comida e passando fome e sede, no interior de canos de PVC, enrolados em meias de náilon atadas às pernas dos traficantes e mediante muitas outras estratégias, que podem levá-los à morte por asfixia, pisoteamento e esmagamento, inanição e desidratação. Para funcionar, o tráfico apresenta uma cadeia de atores, desde aquele que apanha o animal na natureza, geralmente pessoas de baixa escolaridade e renda que vivem no local, passando por intermediários dentro do Brasil até chegar ao consumidor final no exterior, com destaque para os Estados Unidos e também países da Europa.

Para denunciar o tráfico de animais silvestres, recorrer aos órgão locais (municipais, estaduais) afetos ao ambiente e fauna, e também à organização RENCTAS:  “fundada em 1999, a Renctas é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que luta pela conservação da biodiversidade. Baseada em Brasília-DF, desenvolve suas ações em todo o Brasil, por meio de parcerias com a iniciativa privada, o poder público e o terceiro setor.” (texto do site).

 

 

Os animais silvestres não devem ser alvo de criação doméstica, pois são animais em estado selvagem, isto é, não se trata de espécies que foram sendo habituadas por séculos ou milhares de anos a viver no ambiente doméstico e se tornarem dóceis, junto dos humanos, ao longo de gerações. Portanto, por mais “mansinhos” que sejam, como é o caso, às vezes, de saguis e até de felinos como oncinhas que conviveram desde filhote com humanos, eles vivem sob muito estresse no convívio com o homem e podem, por vezes, se tornar agressivos. Em muitos casos, não mantém agressividade, mas vivem em tristeza e depressão. Alguns animais podem ser considerados ainda dentro de um processo de domesticação, como é o caso dos coelhos que, embora dóceis, estressam muito em ambientes barulhentos, podendo até morrer; eles até são criados como animais de estimação, mas precisam de um ambiente muito calmo para viverem bem.

Com a destruição dos “habitats” naturais, muitos animais silvestres vêm se adaptando ao meio urbano, onde encontram muito alimento alternativo (restos de alimentos, lixo) e também abrigos alternativos, ocupando espaços construídos pelo homem. Esse é o caso de morcegos, pombos nativos e outros exóticos, como o pombo-europeu, andorinhas, macacos-prego, saguis, gambás, tatus, capivaras, muitos escorpiões e aranhas, além de ofídios e até onças-pardas ou sussuaranas e outros felinos selvagens. Quando isso acontece, acabam constituindo um problema no meio urbano e passam a ser classificados como sinantrópicos, tornando-se alvos de manejo pelos Centros de Controle de Zoonoses.